AS ÁREAS CLASSIFICADAS E OS SEGUROS: OU NEGOCIAMOS COM SERIEDADE E ENERGIA OU ENTÃO AS CONDIÇÕES CON


Ao longo dos últimos 50 anos o assunto "seguro" sempre foi tratado na forma de monólogo, de tal maneira que "a seguradora falava e o segurado escutava"... não havia negociação no preço, nem podia haver,

já que era um monopólio!, ou seja, se a seguradora entendia que o risco a ser coberto era alto, o prêmio também era alto.

Assim sendo, nessa época, se o contratante (o segurado) manipulasse, armazenasse ou processasse inflamáveis, precisando do seguro de explosão/incêndio/ queda de raios/fumaça, ele era automaticamente

identificado como um cliente de alto risco "e todas suas áreas de produção eram entendidas como classificadas", portanto, o seguro calculado correspondia à taxa petroquímica, que é a mais alta do mercado.

Nessa triste época, as normas que utilizávamos para instalações elétricas em áreas classificadas eram de uso voluntário, não era exigida a certificação de equipamentos elétricos para esses locais, os conceitos de

gerenciamento de riscos eram desconhecidos e ainda essas áreas somente podiam (e deviam!!) ser tratadas com equipamentos elétricos a prova de explosão, que era a única solução conhecida.

Quando na década de 80 apareceram as novas normas lEC que foram definidas como base normativa para o Brasil, essas normas, por força da compulsoriedade dá certificação de equipamentos elétricos, definida

pela Portaria Inmetro n° 176/00, passaram a ser de uso obrigatório, ou seja, foram entendidas como leis , começando portanto a serem efetivamente respeitadas e implementadas pela comunidade Ex, representada

pelos profissionais de segurança, de projetos, de montagens e de manutenção.


Essas novas normas nos fizeram enxergar que as áreas classificadas são conseqüência de ações/ operações mal resolvidas e que, se melhoradas, podem ser reduzidas ou eliminadas, ou seja, apareceu na época o

conceito de "desclassificar as áreas". À luz dessas normas vimos também que nem sempre que lidamos com produtos inflamáveis teremos a presença das áreas classificadas, e isto é possível com a utilização de

ferramentas existentes para o gerenciamento de riscos. Assim, com esta nova visão fornecida por essas normas, terminamos vendo que os riscos de explosão/incêndio existentes hoje na maior parte das indústrias

do parque brasileiro poderiam ser diminuídos. Para isto, deveria ser feito um trabalho para reavaliar os riscos de explosão dessas empresas baseados nos equipamentos, produtos e processos existentes hoje,

desclassificando áreas, se possível. Para estes trabalhos contamos hoje com recursos físicos, confiáveis e certificados para a prevenção, a proteção, o alivio e a supressão de explosões.


Há um outro aspecto que tem uma grande importância e que diz relação à legislação: em nível federal temos uma NR-10 do MTE e da ANP que estão fiscalizando com rigor estes assuntos. A nível estadual, temos

a CETESB com exigências claras em relação a emissões (VOCs), derramamentos, vazamentos, ou seja, para o Meio Ambiente. Como complemento a tudo isto, os profissionais de segurança, projetos, montagem e

manutenção, desde o ano de 2004 (publicação da NR-10) estão participando ativamente de trabalhos de capacitação em áreas classificadas o que, sem dúvida elevou o nível de conhecimentodesses profissionais

em relação ao tema Ex, vendo no dia a dia que esta capacitação esta sendo cada dia mais procurada na ABPEx.


Ante tudo o anterior, podemos afirmar com responsabilidade que o nosso parque industrial químico, petroquímico, do petróleo, de combustíveis, farmacêutico, de tintas/vernizes, do açúcar e álcool, biocombustíveis,

etc, agora começa a atender as exigências dessa legislação, estando sujeito a riscos bem menores, que devem ser revistos pelo sistema segurador


Por isto tudo, a ABPEx recomenda que as empresas que precisem contratar seguros de explosão/incêndio ou mesmo otimizar o existente, desenvolvam um trabalho sério para gerenciar seus riscos (diminuir/ eliminar)

e uma vez feito isto, exijam da seguradora uma reavaliação desses seguros.


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